Por que hospitais seguros salvam mais vidas?
Segurança hospitalar não é apenas uma obrigação, é parte do cuidado com o paciente!
Quando pensamos em salvar vidas dentro de um hospital, normalmente lembramos de médicos, enfermeiros, medicamentos, equipamentos e procedimentos, mas existe outro elemento igualmente importante e muitas vezes menos percebido que é a segurança do ambiente hospitalar.
Um hospital seguro não é apenas aquele que possui bons profissionais ou tecnologia avançada, é aquele que desenvolve uma cultura capaz de identificar riscos, prevenir falhas e estabelecer processos para proteger pacientes, profissionais, acompanhantes, visitantes e prestadores de serviços.
É justamente nesse ponto que compliance e segurança hospitalar precisam caminhar juntos.
Compliance hospitalar não deve ser entendido somente como cumprimento de normas, trata-se de transformar normas, protocolos e boas práticas em comportamentos efetivos dentro da instituição.
Segurança começa antes do atendimento!
O cuidado com o paciente começa muito antes de uma cirurgia ou de um medicamento ser administrado.
Começa na limpeza das superfícies, na higienização das mãos, na manutenção dos equipamentos, na conservação das paredes, pisos e mobiliários, no controle de acesso, na circulação adequada de pessoas e materiais e na execução correta de obras, reformas e serviços dentro do ambiente hospitalar.
Uma pequena falha aparentemente sem importância pode criar uma sequência de riscos, uma superfície danificada pode dificultar a higienização. Uma manutenção executada sem controle pode gerar poeira ou contaminantes, um prestador sem treinamento adequado pode entrar em uma área crítica sem conhecer os protocolos necessários.
Separadamente, esses acontecimentos podem parecer pequenos, dentro de um hospital, porém, pequenas falhas podem produzir grandes consequências.
Hospitais seguros trabalham com prevenção!
Uma das principais características de uma instituição madura em segurança é sua capacidade de agir antes que o problema aconteça.
Isso significa mapear riscos, criar protocolos, definir responsabilidades, registrar ocorrências, estabelecer indicadores, treinar pessoas e acompanhar continuamente os processos.
Segurança hospitalar não pode depender apenas da atenção individual de cada profissional.
É necessário criar um sistema.
Quando processos são claros, responsabilidades são definidas e riscos são monitorados, a instituição reduz a dependência do improviso e aumenta sua capacidade de prevenção.
Essa visão está diretamente relacionada à cultura de segurança, todos que participam do ambiente hospitalar precisam compreender que suas ações podem influenciar a segurança do paciente.
O ambiente físico também participa do cuidado!
Arquitetura, engenharia, manutenção, limpeza, hotelaria e controle de infecções precisam ser considerados partes integrantes da estratégia de segurança hospitalar.
Paredes danificadas, cantos quebrados, revestimentos deteriorados, superfícies de difícil higienização, equipamentos sem manutenção adequada ou intervenções realizadas sem planejamento podem aumentar riscos e custos.
Por outro lado, ambientes planejados para facilitar limpeza, manutenção, circulação e conservação contribuem para uma operação mais segura e isso amplia o conceito de segurança hospitalar.
O cuidado não acontece somente no leito, o próprio ambiente pode contribuir para proteger quem está nele, prestadores também fazem parte da cultura de segurança, empresas terceirizadas, fornecedores, instaladores, equipes de manutenção e profissionais responsáveis por obras e reformas precisam estar inseridos nessa estratégia.
Não basta saber executar tecnicamente um serviço!
Quem trabalha dentro de um hospital precisa compreender onde está trabalhando, é necessário conhecer protocolos, riscos, restrições de circulação, utilização de equipamentos de proteção, cuidados com resíduos, poeira, ferramentas, materiais e procedimentos específicos para áreas assistenciais.
A segurança do paciente não termina quando começa o trabalho de uma empresa terceirizada, pelo contrário, a responsabilidade precisa continuar durante toda a cadeia de pessoas que participa daquele ambiente.
Compliance precisa sair do papel!
Um hospital pode possuir dezenas de normas, manuais e procedimentos, entretanto, documentos sozinhos não criam segurança.
Compliance efetivo acontece quando aquilo que está estabelecido no papel é compreendido, aplicado, acompanhado e continuamente melhorado.
Isso exige treinamento, auditoria, indicadores, responsabilização e, principalmente, cultura organizacional.
A pergunta não deve ser apenas:
“Estamos cumprindo a norma?”
Precisamos avançar para outra:
“Nossos processos estão realmente protegendo as pessoas?”
Essa mudança de pensamento transforma compliance em instrumento de prevenção e segurança também significa aprender com os riscos.
Instituições comprometidas com segurança não devem esconder falhas, precisam estudá-las.
Cada ocorrência, quase acidente, não conformidade ou situação de risco pode fornecer informações importantes para evitar acontecimentos futuros e o objetivo deve ser desenvolver organizações capazes de aprender continuamente.
Identificar, registrar, analisar, corrigir, treinar e medir novamente.
Esse ciclo precisa fazer parte da gestão hospitalar, e um hospital seguro é resultado de responsabilidade compartilhada onde nenhum departamento consegue construir segurança sozinho.
Direção, corpo clínico, enfermagem, CCIH/SCIH, engenharia clínica, manutenção, arquitetura, hotelaria, limpeza, compras, suprimentos, segurança do trabalho, fornecedores e prestadores precisam compreender que fazem parte de um mesmo sistema.
A segurança hospitalar nasce justamente da integração dessas áreas, é necessário substituir a ideia de que segurança pertence a determinado departamento pela compreensão de que segurança é responsabilidade de todos.
A missão da Associação Brasileira de Compliance em Segurança Hospitalar!
A Associação Brasileira de Compliance em Segurança Hospitalar defende o desenvolvimento de uma cultura baseada em prevenção, conhecimento, responsabilidade, boas práticas, capacitação e melhoria contínua.
Nosso objetivo é estimular hospitais, profissionais, fornecedores e prestadores a enxergarem a segurança hospitalar de maneira ampla e integrada.
Queremos contribuir para o desenvolvimento de pesquisas, estudos, treinamentos, protocolos, avaliações de produtos, análises de soluções e disseminação de conhecimento que possam tornar os ambientes de saúde cada vez mais seguros.
Porque segurança hospitalar não deve existir apenas para atender uma exigência regulatória, ela precisa existir para proteger pessoas e essa é uma responsabilidade que pertence a todos nós, lembrando que:
Hospitais seguros previnem mais;
Hospitais seguros aprendem mais;
Hospitais seguros protegem melhor;
Hospitais seguros podem salvar mais vidas;